HOMEM LIVRO

Chegou e alguns centésimos depois percebeu que a atendenete poderia não estar ali. Que história criara pra si, que filosofia tomou? Dois seres ao lado se esforçam na trigonometria e dizem, ela saiu aí, do corredor vozes de recreio, ou era um livro na estante que gritava crianças agonizantes da áfrica? Sentado mais pra lá um frondoso urso de montanha, deste ângulo uma máquina de escrever atiça obsedadamente a falta de óleo e ferrugem, não se soube o tempo que passou naquele espaço, eras talvez. Se acomodou embaixo de uma mesinha de computador e levou um chute num dos póros, encostou a cabeça na ergonomia do mouse, sumiu na tela num reset de dedo. Já pensou se niguém me atende e fico aqui pra sempre, leu em algum lugar, aos poucos foram dobrando e transformando cada anatomia sua em páginas, características suas em palavras, líquidos escatológicos em seiva bruta celulóse carnificada, e da pele-capa até a última gota de papel com a parte de aço do compasso rasgaram en letras tamanho 59, MONTAIGNE.

proa cênica






Para Tayane





Eu teria ido ao encontro? Eu teria ido ao encontro se a lua não tivesse sido franca demais comigo e o anel de saturno não dedasse seu arco no gancho do casaco que não há, que caiu no chão, que perdi, que mais? Cheguei e a mão já estava absorta boiando delicada na proa do ar. Na projeção um iciberg vazava na parede e descondensava estática por todo aquele espaço que se assemelhava e muito a um cenário de filme catástrofe. Mas qual papel eu desempenharia ali agora? O manequim tinha sido recolhido, a figurinista não precisava de sua mão afogada, a luva marfim já estava pronta pra ser jogada numa praia ou recolhida pelo serviço dos garis. Quem seria o escolhido pra catá-la da areia? Do que seria feito o próximo momento preguinante ou momento decisivo como me mostrou o garoto com uma plaquinha tipo memória do jô? Alguém me pediu que fizesse silêncio quando no filme do Gerbase a Maria Fernanda Cândido olha pra câmera e diz em suave tom cênico: corta!

Amey a palavra

À Sérgyo e Leandro

Não era manhã tarde ou noyte, levantou olhou pro lado ou outro e não vyu nada, só um lyvro amarelo em cyma chamou atenção, pegou correu o dedo até...essa letra! Se apayxonou pelo sygno symplesmente porque era dezacoztumado e trazya uma manhã em que a pergunta será feyta e uma suposta confusão com uma palavra se parece com...essa! seu enkanto foi dobro parecya uma aurora boreal que nem se sabe e nem se mostra como é, maz faz ynsegurança, a mesma quando estamos ynteressados por alguém e coração adrenalyna eztoura como um peyto arrebentado por um fuzyl karynhoso, um projétyl de cupydo ysso sym. Ezfregou olhoz, dezembaçou vydro, dezlygou a quymika ygnyção que tremya corpo e no reztynho myrou você e dysse, amey a pala...

Vydeo-tezto(pedaço de Ymagem)

O texto, a palavra impressa na página branca, reflete antes de mais nada uma vontade de existir tal e qual uma imagem, de se dar a ver como informação múltipla, simultânea, aberta para todos os lados. Esta vontade de se manifesta às vezes num certo jeito de ser disperso como uma transcrição de uma conversa falada, e não como escrita organizada e concisa, não como uma frase escrita para ser lida; se manifesta , outras vezes, na preocupação de compor frases breves e ambíguas quase como um retrato, como instântaneo fotográfico; se manifesta ainda, na preocupação de interferir na grafia das palavras, com um Y um K ou um Z .
No livro Sekulo do Kynema, de Glauber Rocha, as palavras aparecem mesmo como imagens. só depois se ser apanhada pelos olhos como um desenho, como uma imagem, é que cada palavra aparece enquanto palavra mesmo, como coisa pra ser lida. o texto para ser "lydo" como um vydeo-tezto, como se o lyvro e agora este blog, fosse um disco ou fita de computador e as letras, as palavras, o código usado para imprimir um pedaço de ymagem. (josé Carlos avelar, fortuna crítica- sekulo do kinema)